Novidade de quarta: vergonha alheia de si mesmo

Vergonha alheia de você mesmo

Crédito: Luciana Palma

Crédito: Luciana Palma

Tive uma solicitação inédita de uma paciente. Depois de quinze anos atendendo mulheres desejando quase sempre as mesmas coisas, atendi hoje uma que me pediu uma coisa realmente nova. Mas ainda não quero falar sobre os assuntos de trabalho. Deixo isso para os contos, que estão em confecção.

O que foi novo hoje foi uma sensação de orgulho, depois de uma de vergonha.

A vergonha é de mim mesma, mas não de um momento presente. É como se fosse de quando eu era adolescente, criança, jovem… Vou explicar.

Você se lembra daquelas situações em que ficou muito constrangido, mas encarou assim mesmo? Eu me lembro de duas delas, e vou contar:

Primeira:

Apresentação de dança indígena representando o conservatório Lia Salgado no CEFET.

Traje: Malha bege com desenhos pretos imitando pintura corporal

Idade: 14 anos

Sensação no dia: Inicialmente de muito ridícula naquela roupa, uma vontade enorme de fugir, NENHUMA amiga solidária participando da dança. No final, me senti bem, corajosa, feliz de ter participado, de ter acabado e de não ter visto ninguém conhecido na plateia. Se bem que acho que não teriam me reconhecido…

Segunda:

Apresentação de coral no Pró-Música, em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Localizaçao: na plateia, assistindo uns corais meio (eu achava) famosos…

Idade: 16 anos

Ocorrido: Quando acabou a apresentação, toda a plateia se levantou e aplaudiu de pé. Eles cantaram um “bis”. Todos aplaudiram novamente e eu logo fiquei de pé. Só eu. O resto do povo continuou aplaudindo, sentado. Até o pessoal do coral ficou com pena de mim, mas recebi um agradecimento especial por não ter evaporado naquela hora.

Não são  situaçoes confortáveis, sem dúvida. Mas foram eventos inesquecíveis, que me deixaram experiente para me expor à apresentações da escola, da faculdade e ter coragem. Não me arrependo de nenhum deles.

Hoje, quando li no blog as novidades do dia anterior, senti um pouco isso. Uma vergonha, um desconforto, mas um orgulho de poder falar para meus filhos e para mim mesma que eu estou fazendo o que eu tenho vontade. Quem se arrisca?

Para ilustrar, chamei meu filho para tirar uma foto minha:

_Mamãe, esta foto foi a melhor que eu consegui!

Muitas vezes o melhor que conseguimos fazer não preenche todos os nossos desejos de acertar. Mas não é muito melhor ter tentado?

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